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Hoje quero falar sobre esta peculiaridade que está presente em todas as comissões julgadoras, independente de qual seja a modalidade .
Vários companheiros, ainda açoitam-se psicologicamente devido ao fato de não terem sido selecionados para o concurso no Salão Internacional de Humor de Piracicaba, como se tivessem cometido um pecado mortal.
Ponderemos...
Por mais que apliquemo-nos nas execuções de nossos trabalhos, buscando a excelência no resultado final e façamos tudo conforme nossas convicções, iremos depender sempre das análises e principalmente, da afinidade com àqueles que nos julgarão.
Quando uso o termo afinidade, não quer dizer necessariamente "proximidade afetuosa". Muita gente acha que "cavar" a aproximação, pode determinar uma premiação.
E em alguns salões, isto acontece! As articulações mal intencionadas e as "babações ocasionais" acontecem mesmo.
Mas existe outro tipo de afinidade, que pode definir ou determinar os resultados finais em um concurso... a afinidade pela proximidade da linguagem com o julgador.
Dia desses, postei um comentário lá no blog do Salão Internacional de Piracicaba, sobre um fato peculiar que aconteceu no ano em que o primeiro lugar em caricatura foi atribuido à uma caricatura do Mike Tyson, no estilo tira-linhas e outra premiação, atribuida à caricatura da Frida Khalo, também no estilo tira-linhas.
Nas conversas que tenho com várias pessoas que atuam neste universo, soube que, nàquele ano, um conceituado cartunista, que morou fora do país e é considerado um dos referenciais no estilo tira-linhas no Brasil, fez valer a sua posição de "guru" e feito pressão para que os trabalhos premiados fosse àqueles que se aproximavam da sua linguagem.
O problema é que, infelizmente, quando há tendenciosidade, consciente ou inconscientemente, há também a impressão de uma lacuna que deixou de ser preenchida.
Nàquele mesmo ano, duas caricaturas que, ao meu ver, são caricaturas ícones - como: Mãe Menininha do Gantois (Cárcamo), Dali (Marcelo Pinto), Chico Buarque (Dalcio), Dunga (Cauhh), Niemeyer (Ray), Maguila (Rossi), Emilio Santiago (Baptistão), J. L. Borges (Fernandes), Tim Maia (Quinho) e algumas outras - foram parar na última página da categoria no catálogo referente ao concurso dàquele ano. Eram as caricaturas do Jô Soares, elaborada pelo Paffaro e a caricatura do Picasso, elaborada pelo Rossi. Ambas elaboradas com riqueza de detalhes, domínio técnico fenomenal e o estilo acadêmico como característica de ambos.
Hoje, mais de seis anos depois, a grande parte dos amigos que trocam idéias comigo sobre salões, compartilham da opinião que "as duas caricaturas mereciam, no mínimo, menções honrosas".
Mas por questão de "afinidades" com as propostas executadas, ambas foram apenas selecionadas e o que ficou valendo foi a decisão final.
É como àquele jogo da Inglaterra na última edição da World Cup 2010... Milhares de pessoas podem ter visto de uma forma, mas de nada adiantou se quem podia decidir - no caso, o trio de arbitragem - não viu ou desconsiderou áquilo que todos viram.
Sendo assim, não há culpa pela desclassificação de um trabalho em um concurso.
Pela subjetividade proposta nos julgamentos, a desclassificação de um trabalho ou a não premiação do mesmo, não determina absolutamente nada. Querem tirar a prova? Basta pegarem os mesmos trabalhos que foram preteridos em um salão e enviá-los para outro e surprendam-se. Se aqui seus trabalhos sequer foram classificados, os mesmos trabalhos poderão ser premiados acolá.
Imaginem o seguinte:
Você elabora um trabalho com embasamento na Teoria das Cores, decide fazer uma obra em isocromia ou policromia. Mas quem vai te julgar, só tem afinidades com aguada de nanquim. Seu trabalho, por mais que esteja bem elaborado, poderá ser desconsiderado ou perder o valor, diante de um concorrente que tenha seguido a "linha de execução" dàquele que os julgará.
Você pode fazer um trabalho tira-linhas fenomenal, mas quem irá te julgar é oriundo da escola clássica. Suas chances também diminuirão consideravelmente.
Isso acontece também em relação à forma como você resolve uma cartum, uma caricatura ou uma charge.
O outro fator que com certeza irá determinar o seu êxito chama-se assinatura. Risos
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Aí vem a parte mais engraçada de alguns cartunistas...
Ele imagina que a tal "afinidade" possa ser conquistada em um piscar de olhos e quase sempre em vésperas de salões, quando descobrem quem serão os jurados.
Fico imaginando a "tietagem ocasional" ou a "aproximação por conveniência" com o Turcios, por exemplo:
O cartunista nunca mandou um mail sequer para ele. Mas pelo fato de estar concorrendo e saber que será julgado por ele, começa o processo:
Salve Mestre "Tu" (O "Mestre" é para denotar a responsabilidade - e tem cartunista que tem mais mestre do que canteiro de obras gigantescas. O "Tu" é para dar a sensação de uma proximidade maior)!
"Soube" que "Vossa Alteza" ( Vossa Alteza é para reforçar a puxada no saco e se colocar em condição de servo) vem ao Brasil. "Oh"! Espero vê-lo em Piracicaba.
Abraço fortíssimo
Cartunista Fulano de Tal
Seu VassaloPassado o salão, caso o Turcios não o premie, sabe quando ele voltará a escrever um mail para o mesmo? Nunca! Risos
E assim esta espécie de cartunista vai buscando novas aproximações por conveniência.
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O que procuro promover com esta postagem?
Façam seus trabalhos e os enviem para onde acreditarem valer à pena. Feito isso, esqueçam-se do desenvolvimento. Caso você seja premiado, te comunicarão. Caso não seja, prepare-se para os próximos. Para quem gosta deste universo, Salões de Humor é o que não faltam e as oportunidades continuam.
Não precisa se açoitar caso não seja selecionado, nem buscar aproximação de ninguém por acreditar ser "vantajoso".
O que tiver de ser... será! E se não for agora, será depois. Pode crer!
Abraços